Cadê a chuva que não veio me molhar hoje? Ninguém veio me tirar a roupa. Subtrair meus defeitos com um só olhar. Apertar minha pele forte e marcar de vermelho. Me calar para não espalhar.
O tempo certo não apareceu. Me faz dormir, silencia minha boca, mas minha cabeça grita. Grita tão forte que os copos explodem. A areia se espalhando como o veneno que sinto que sai daí de dentro. Que vai matando aos poucos. A cada prova. O cheiro conheço de longe. Não deixo meu pescoço à mostra.
Não existe lua que me faça andar para onde não quero. Existe você do outro lado. Me deixa fora de foco e me descontrola. Me inspira e me faz sair por ai sem medo. Quero poder jogar fora o controle e correr até lá. E também fechar os olhos para te imaginar. Ouvir a voz e não ligar ao real. Pensar no calor e arrepiar. E por fim ter e no outro dia deixar de amar a ilustração e querer o real.
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